sexta-feira, 19 de junho de 2026

MPMA pede que Câmara de Vereadores realize concurso público em Nova Iorque


O Ministério Público do Maranhão (MPMA), por meio da Promotoria de Justiça de Pastos Bons, pediu, em Ação Civil Pública, ajuizada nesta terça-feira, 16, que a Câmara Municipal de Nova Iorque realize concurso público para cargos técnicos e administrativos. O município de Nova Iorque é termo judiciário da comarca de Pastos Bons.

Na ACP, o promotor de justiça Hélder Ferreira Bezerra solicitou, em caráter liminar, que a Câmara inicie em até 30 dias a realização de levantamento de necessidade de pessoal e estudo de impacto orçamentário. Outro pedido é que, no prazo de 60 dias, o Poder Legislativo municipal dê início ao processo licitatório para contratação de uma instituição para a realização do certame.

Foi apurado que a Câmara Municipal de Nova Iorque nunca realizou concurso público. A informação foi confirmada ao MPMA pelo próprio presidente da Casa, Washington Alves. Segundo o gestor, todas as atividades do órgão são exercidas por servidores comissionados, sem servidores efetivos ou contratados temporariamente.

A análise das folhas de pagamento de fevereiro e março de 2026 confirmou que cargos como assistente administrativo, assistente de plenário e auxiliar operacional de serviços diversos são simplesmente providos por portarias, desempenham funções permanentes, incluindo recebimento e expedição de correspondências, atendimento ao público, operação de equipamentos de som e limpeza das dependências do órgão.

Para o Ministério Público, essas atribuições não se confundem com as funções de direção, chefia e assessoramento, que a Constituição Federal reserva aos cargos de provimento em comissão.

RECOMENDAÇÃO

Antes da Ação, o MPMA expediu uma Recomendação, solicitando que a Câmara apresentasse um plano de regularização, estudo de impacto orçamentário e abrisse processo licitatório para o certame. O órgão legislativo somente prometeu realizar uma reorganização administrativa, sem cronograma definido, alegando que o reduzido número de vagas desestimularia a participação de bancas examinadoras. Entretanto, a justificativa, na visão da Promotoria de Justiça de Pastos Bons, não anula a obrigatoriedade do concurso público.

Além da concessão da liminar, o Ministério Público pediu a condenação da Câmara à publicação de edital de concurso público em até 180 dias, substituição gradual dos servidores comissionados irregulares pelos candidatos aprovados no certame e abstenção de novas nomeações fora dos casos permitidos pela Constituição para cargos de confiança.

Em caso de descumprimento das obrigações, a ação prevê a aplicação de multa diária pessoal ao presidente da Câmara, Washington Alves, no valor de R$ 1 mil, até o limite de R$ 50 mil.

TJMA realiza primeira ação do Comitê Interinstitucional PopRuaJud do Maranhão

 

O Tribunal de Justiça do Maranhão juntou tradição de festa junina com ação de prioridade à política de atenção às pessoas em situação de rua, e, de um modo geral, às pessoas da comunidade, realizadas no bairro Maracanã, localizado na zona rural de São Luís, garantindo ações interinstitucionais, integradas, temáticas e territorializadas, orientadas pela dignidade da pessoa humana e pela articulação permanente da rede de proteção social. 

A coordenadora-geral do Comitê PopRuaJud (MA), desembargadora Graça Amorim, disse que o Tribunal de Justiça do Maranhão realiza, em parceria com o Comitê Interinstitucional PopRuaJud do Maranhão, mais um evento buscando e reunindo sociedade civil, órgãos públicos estaduais, municipais, no sentido de retirar uma parcela da população que se encontra em estado de extrema vulnerabilidade social e econômica.

“Hoje, em particular aqui no Maranhão, estamos buscando unir o que nós temos de mais importante, que é a cultura folclórica da nossa terra, que é o bumba meu boi, a essa ação social que tem o fundamento de trazer a cidadania àqueles que mais precisam, e nós aqui, na casa deles, na casa do nosso bumba meu boi de Maracanã, buscamos reunir todas as entidades que estão juntas a nós para fazermos um atendimento que abrange  mais de 500 pessoas, que é a nossa pretensão”, comentou.

O coordenador executivo do Comitê, juiz Douglas de Melo Martins, ressaltou que o Maranhão é um dos estados que melhor implementa a política de atenção às pessoas em situação de rua no Brasil, exatamente porque o Tribunal tem dado a devida atenção a essa política no âmbito do Estado. 

“Essa é a primeira ação depois da assinatura da portaria que criou o Comitê Interinstitucional PopRuaJud do Maranhão. O Tribunal de Justiça do Maranhão foi um dos primeiros tribunais do Brasil a criar este Comitê Interinstitucional, o que vai facilitar bastante a integração com as outras instituições do sistema de Justiça, do Poder Executivo, do Poder Legislativo, da Sociedade Civil”, comentou. 

Presente na ação, a juíza auxiliar da Presidência do CNJ e integrante do Comitê PopRuaJud, Adriana Melônio, destacou a importância da pauta para o Conselho Nacional de Justiça, que tem desenvolvido essa política de atenção às pessoas em situação de rua.

“Estou muito feliz aqui, agradeço ao TJ do Maranhão pela iniciativa, aos parceiros locais, pela importância desse trabalho para que a gente consiga cada vez mais ofertar melhores serviços para a nossa população, não apenas os serviços judiciários, mas ações como essa são importantes para mostrar que o nosso Judiciário procura garantir direitos humanos, direitos fundamentais e a Justiça para além da sala de audiência”, explicou.Participaram da ação na comunidade do Maracanã, as integrantes do Comitê, juíza auxiliar da presidência, Teresa Mendes, juíza auxiliar do Comitê, Larissa Tupinambá e a chefe de gabinete da Presidência do TJMA, Tereza Fonseca. 

Na ação, teve uma apresentação do bumba meu boi de Maracanã.

VÍDEO: Yglésio critica decisão relacionada a câmeras em policiais no MA

O deputado estadual Yglésio Moyses criticou uma decisão do juiz Douglas de Melo Martins que determinou a instalação de câmeras corporais com acionamento automático em policiais civis e militares do Maranhão durante o horário de trabalho.

A medida atende a uma ação apresentada pela defensora pública Clarice Binda e tem origem em um processo iniciado em 2022.

Yglésio afirmou que a decisão cria uma política pública por determinação judicial. Além disso, ele questionou a adoção do monitoramento permanente dos agentes de segurança. Segundo o parlamentar, a medida pode trazer riscos para operações sigilosas, principalmente se houver acesso indevido às imagens ou falhas no sistema de armazenamento.

O deputado também argumentou que o investimento necessário para implantar o sistema poderia ser destinado a outras áreas da segurança pública. Por isso, Yglesio defendeu a aplicação de recursos em melhores salários e condições de trabalho para os policiais. 

Na avaliação dele, a medida aumenta a fiscalização sobre os agentes sem atacar os problemas estruturais da área.

Durante a manifestação, Yglésio declarou ainda que pretende buscar a reversão da decisão nas instâncias superiores da Justiça, afirmando que a proposta pode gerar custos superiores a R$ 100 milhões por ano para os cofres estaduais.




CGJ-MA recebe visita institucional do corregedor do Foro Extrajudicial de Goiás


A Corregedoria Geral da Justiça do Maranhão recebeu, na manhã desta quinta-feira (18/06), o corregedor do Foro Extrajudicial do Estado de Goiás e presidente do Fórum Fundiário Nacional, desembargador Anderson Máximo de Holanda. O encontro teve como objetivo a troca de informações sobre práticas desenvolvidas pelo Poder Judiciário maranhense nas áreas judicial e extrajudicial.

Durante a visita, o desembargador Anderson Máximo de Holanda cumprimentou o corregedor-geral da Justiça do Maranhão, desembargador José Gonçalo de Sousa Filho, e a equipe da Corregedoria. Ele também destacou a importância dos projetos realizados pela CGJ-MA em benefício da população maranhense.

“Quero cumprimentar o desembargador Gonçalo, toda a equipe da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Maranhão, pelo excelente trabalho que vem realizando, boas práticas e deixando um legado para todo o povo maranhense e para todo o país.”, disse o desembargador Anderson Máximo.

O corregedor do Foro Extrajudicial de Goiás também ressaltou a importância do diálogo com o tribunal do Maranhão para o fortalecimento de iniciativas voltadas a uma atuação mais próxima do cidadão.

“Foi apresentada aqui uma proposta com muita qualidade da execução penal de vocês, a humanização do cumprimento das penas, o trabalho já da parte do Extrajudicial relacionado à justiça fundiária, o casamento comunitário, que são pautas sociais, e sem sombra de dúvidas o Maranhão vem a fortalecer uma pauta que eu acho necessária para o Brasil, de que é um Poder Judiciário mais humano, mais próximo do cidadão.”

O corregedor-geral, desembargador José Gonçalo de Sousa Filho, ressaltou a importância da troca de informações com tribunais de outros estados para incentivar ações que ampliem a efetividade, a agilidade e a qualidade dos serviços prestados à população. O desembargador também agradeceu a visita e destacou a admiração pelo trabalho desenvolvido pelo Tribunal de Justiça de Goiás.

“Temos muito mais a aprender com vocês. Estamos aqui para colaborar sempre. Informação é para ser disseminada”, afirmou o corregedor.

Também participou do encontro o juiz coordenador da Divisão de Planejamento da CGJ-MA, Francisco Júnior, que apresentou as principais iniciativas desenvolvidas pela Corregedoria Geral da Justiça e pela Corregedoria Geral do Foro Extrajudicial do Maranhão. Entre os temas abordados estiveram o trabalho do Tribunal de Justiça do Maranhão na área de regularização fundiária e a atuação da COGEX no combate ao sub-registro no estado.

Estiveram presentes os juízes auxiliares da CGJ-MA, Ana Beatriz Jorge de Carvalho Maia e José Américo Abreu, e a chefe de gabinete, Laiana Holanda.

Comissões de Soluções Fundiárias incentivam atuação coletiva na gestão de conflitos

 

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Tribunal de Justiça do Maranhão, com apoio da Escola Superior da Magistratura do Maranhão (Esmam), deram início, nesta quinta-feira (18/6), ao “Encontro Nacional das Comissões de Soluções Fundiárias”, com foco na atuação interinstitucional dos diversos órgãos envolvidos na gestão de conflitos fundiários. Os participantes também destacaram a necessidade de qualificação de dados para a obtenção de melhores resultados. O evento foi aberto pelo presidente do TJMA, desembargador Ricardo Duailibe, no Auditório Madalena Serejo, no Fórum Desembargador Sarney Costa, em São Luís.

“A importância e o agradecimento dos que dirigem o nosso Tribunal, de esse encontro ser realizado aqui, com certeza está ligado ao sucesso de um projeto que trata dessa matéria, que todos conhecem e todos vão visitar amanhã, que é o da cidade de Alcântara, a regularização fundiária que começou com a parceria da Justiça Federal”, disse Ricardo Duailibe, referindo-se ao acordo realizado para solucionar o conflito histórico de mais de 40 anos com as comunidades quilombolas do município maranhense.

O evento com atividades na capital maranhense, nesta quinta, e em Alcântara, nessa sexta-feira (19/6), é destinado a desembargadores/as presidentes e demais membros das comissões de soluções fundiárias dos tribunais estaduais e federais do Brasil. Integra a política judiciária instituída pela Resolução CNJ n. 510/2023 e reúne magistrados, magistradas e equipes técnicas de todo o país, com o objetivo de promover o alinhamento institucional, o intercâmbio de experiências e o aprimoramento das metodologias de atuação das Comissões de Soluções Fundiárias, voltadas ao tratamento adequado de conflitos fundiários de natureza coletiva e estrutural.


O dispositivo de abertura contou com a presença do presidente do TJMA, desembargador Ricardo Duailibe; do presidente da Comissão Nacional de Soluções Fundiárias do CNJ, conselheiro Fábio Esteves; do futuro presidente da Comissão Nacional, conselheiro Ilan Presser; do conselheiro do CNJ Sílvio Amorim Júnior; da corregedora-geral do Foro Extrajudicial do Maranhão, desembargadora Angela Salazar; do presidente da Comissão de Soluções Fundiárias do TJMA, desembargador Froz Sobrinho; do corregedor-geral da Justiça do Maranhão, desembargador José Gonçalo Filho; da ouvidora do Judiciário maranhense, desembargadora Márcia Chaves; do presidente do Fórum Fundiário Nacional das Corregedorias Gerais da Justiça, desembargador Anderson Máximo de Holanda; da diretora-geral do TJMA, juíza Ticiany Gedeon Palácio; do diretor do Fórum de São Luís, juiz Marcelo Oka; e do diretor do Foro da Seção Judiciária do Maranhão, juiz federal Maurício Rios Júnior.

A desembargadora Angela Salazar fez um histórico das disputas relacionadas à posse e à propriedade de terras no Brasil, além da legislação que trata da situação, e falou dos desafios jurídicos e burocráticos que requerem uma governança colaborativa entre Executivo e Judiciário, com o apoio da sociedade civil organizada.

“A regularização fundiária é uma política pública essencial à redução das desigualdades sociais e à promoção da cidadania. Somente entrelaçando justiça social, legalidade e sustentabilidade, o Brasil solucionará os conflitos fundiários”, destacou Angela Salazar.

OPORTUNIDADE DE FALA

O presidente da Comissão de Soluções Fundiárias do TJMA, desembargador Froz Sobrinho, qualificou como fantástica a iniciativa do CNJ, de convencimento das instituições para buscar a paz trazida pela regularização fundiária, com incentivo à escuta das comunidades envolvidas.

“Não é só do Judiciário, não é só a lei. A lei, por si só – a jurisprudência – não vai solucionar o conflito. O conflito tem que passar pela conversa, pelo convencimento, pela escuta a essas comunidades. Dar a essas comunidades a oportunidade de fala”, avaliou Froz Sobrinho.

AMADURECIMENTO

O presidente da Comissão Nacional de Soluções Fundiárias do CNJ, conselheiro Fábio Esteves, que encerra seu mandato com este evento, definiu o encontro como o espaço que simboliza o amadurecimento de uma das mais relevantes políticas judiciárias construídas pelo CNJ, que convida a enxergar os conflitos fundiários não apenas como processos judiciais, mas como fenômenos humanos, sociais, econômicos e territoriais, que exigem diálogo, escuta qualificada e construção coletiva de soluções.

Fábio Esteves enfatizou que a lei de terras gera um processo histórico, violento e de exclusão. Lembrou que após o fim do regime mais longevo de escravização de pessoas, a terra passou a ser um objeto econômico, de disputa, de compra e venda, o que resulta, hoje, num processo de exclusão estrutural. O conselheiro citou o Projeto Alcântara, dentre outros, como uma revisão histórica dessa exclusão.

“Enquanto homem preto, eu estou aqui celebrando a consolidação da propriedade dos meus ancestrais e da comunidade quilombola de Alcântara”, relatou emocionado Fábio Esteves, aplaudido por todos e todas.

O conselheiro ainda revelou que o CNJ está criando uma espécie de gestão nacional de conflitos e das soluções fundiárias no âmbito da Política Nacional de Soluções Fundiárias.

Antes da abertura do primeiro painel do evento, o desembargador Froz Sobrinho fez questão de homenagear o conselheiro Fábio Esteves “pelo viés tão humano na condução” da Comissão Nacional de Soluções Fundiárias do CNJ. Froz Sobrinho também passou a palavra ao conselheiro Ilan Presser, que assume a Comissão Nacional ao final do encontro.

O futuro presidente agradeceu ao trabalho do atual presidente da Comissão e destacou a prioridade que o TJMA tem dado à questão fundiária, tanto na gestão anterior, do presidente Froz Sobrinho, como na a atual, do presidente Ricardo Duailibe, citando também a atuação em parceria no município de Alcântara.

“Nós precisamos enxergar o conflito possessório pela lente de que o Judiciário, muito além de decidir processos, precisa resolver conflitos. E Alcântara é um microcosmo de como é possível, com diálogo, com uma rede colaborativa interinstitucional, com uma participação coletiva e dialogada, resolver um conflito de 40 anos”, destacou Ilan Presser.

PAINÉIS


O primeiro painel do encontro teve como tema “Atuação interinstitucional na gestão de conflitos fundiários”, tendo como mediador o desembargador Froz Sobrinho.

A procuradora-chefe do Instituto Nacional de Colonização Agrária (Incra), Maria Rita Reis, apresentou dados da Política Nacional de Reforma Agrária, segundo os quais, mais de 140 milhões de hectares do Brasil estão sob gestão do Incra, com 9.432 assentamentos em 87 milhões de hectares, abrangendo 959 mil famílias. Destacou a importância da articulação interinstitucional como estratégia fundamental para solucionar conflitos fundiários.

“Eu acredito que a articulação interinstitucional é a chave para a solução de conflitos, porque nenhuma instituição consegue dar conta de resolver, de criar soluções fundiárias de forma isolada”, entende Maria Rita Reis.

A diretora do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Agrários do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Gilda Diniz dos Santos, apresentou um cenário nacional com 670 conflitos no campo, com 154 mil famílias atingidas, em números que não refletem a realidade, segundo ela. Apontou o monitoramento de reintegração de posse com 132 casos que envolvem 15 mil famílias.

“Quando eu estou recebendo as pessoas, quando me chegam as coisas, eu penso nas famílias que estão lá na ponta. Eu não olho quem é movimento, eu não olho quem é a liderança, eu penso nas famílias que estão lá. Porque, para gente estar aqui, é porque tem resistência, é porque tem problema. E esse problema vem de muito tempo, é secular. Eu espero que a gente consiga aqui, com as nossas colaborações, com a nossa esperança, ter um Brasil melhor”, disse Gilda dos Santos.

Na sequência, o presidente do Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis, Juan Pablo Gossweiler, disse que a ONR atua como uma plataforma única de integração de dados registrais, que facilita a fiscalização, a resolução de conflitos fundiários e a integração com órgãos públicos e tribunais. Revelou que, em 2025, a ONR realizou 500 milhões de atos eletrônicos.

“Nossa plataforma hoje inclusive disponibiliza um modelo geográfico de acompanhamento dos dados registrais”, concluiu Juan Pablo Gossweiler.

NOVO PAINEL

O segundo painel teve como tema “Produção, sistematização e uso de dados sobre conflitos fundiários”, mediado pelo desembargador do TJPA, José Antônio Ferreira Cavalcante, para quem, os conflitos fundiários não são apenas disputas sobre posse e propriedade da terra. Eles revelam desigualdades históricas, déficits habitacionais, desafios de regularização fundiária e tensões sociais profundas.

“Para enfrentá-los adequadamente, precisamos conhecer sua real dimensão, produzir, sistematizar e utilizar dados confiáveis”, colocou José Antônio Cavalcante, como condição que entende como essencial para que o Poder Judiciário e os demais órgãos públicos atuem de forma preventiva, eficiente e humanizada sobre o desafio.

A juíza auxiliar da Presidência do CNJ, Marina Barros Mendes, defendeu a qualificação dos dados pesquisados, por serem essenciais, tanto dentro do processo, como para a construção de políticas judiciárias e de governança de acervos.

“Os dados são um ponto de partida, nós precisamos aprofundar esses dados quantitativos a partir da escuta, porque os dados fazem parte de uma história, eles fazem parte de um contexto, eles são recortados por alguém, então os dados não são absolutamente neutros, eles precisam ser qualificados e legitimados pela escuta, e isso é muito prestigiado pelas comissões e também é muito valorizado pela Resolução 510”, relatou Marina Mendes.

A doutora em Direito e professora de Direito da Universidade Federal do Pará (UFPA), Luly Ficher, falou do trabalho de apoio técnico multiprofissional para comissões de soluções fundiárias. Explicou que é uma modalidade experimental no Pará, em expansão para a Amazônia Legal. Disse que é similar às assessorias técnicas independentes, mas voltada ao apoio à decisão informada do processo de mediação na perspectiva da multiparcialidade.

Encerrando a parte da manhã, o representante do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Francisco de Assis Nóbrega, também defendeu que, para uma gestão eficaz de conflitos indígenas, é essencial qualificar a produção de dados e identificar os processos aptos para as comissões de mediação. 

“A gente entende que as comissões são espaços que promovem esse diálogo intercultural, que promovem o diálogo de fato com as comunidades indígenas, pensando em como esse processo estrutural pode vir a resolver, de fato, esses conflitos e garantir que haja essa tranquilidade no campo que a gente não vê há muito tempo”, finalizou Francisco de Assis Nóbrega.

VISITA A ALCÂNTARA

O “Encontro Nacional das Comissões de Soluções Fundiárias” prosseguiu na tarde desta quinta-feira. A visita técnica ao município de Alcântara, nessa sexta-feira, dia 19, tem o objetivo de aproximar a formulação institucional da realidade vivencial dos conflitos fundiários. 

Haverá a entrega do registro do Território Quilombola de Alcântara – Área Norte, em nome da Atequila (Associação do Território Quilombola de Alcântara), com presença da presidente da Associação, Valdirene Ferreira; do presidente do TJMA, desembargador Ricardo Tadeu Bugarin Duailibe; do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Carlos Augusto Pires Brandão; do conselheiro do CNJ e juiz do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), Ilan Presser; e do conselheiro do CNJ e juiz TJDFT, Fábio Francisco Esteves.

Réu é condenado a 40 anos de prisão por feminicídio em Zé Doca


Em sessão do Tribunal do Júri realizada na última terça-feira, 16, na Câmara Municipal de Zé Doca, o réu José Camilo Ferreira de Souza foi condenado a 40 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo feminicídio de Camila Brito Ferreira, sua ex-companheira.

Atuou no julgamento o promotor de justiça Felipe Boghossian Soares da Rocha. Proferiu a sentença o juiz Flávio Gurgel Pinheiro.

De acordo com a Denúncia, também de autoria do promotor de justiça Felipe Boghossian, o crime aconteceu em 2 de novembro de 2024, no bairro Vila Leal, em Zé Doca. A vítima foi até a casa do réu para buscar sua filha mais nova, de nove anos na época, quando José Camilo de Souza afirmou que ela não levaria a criança.

Após uma discussão, o condenado buscou uma faca, o que fez a vítima tentar deixar a residência. No entanto, Camila Ferreira foi perseguida e agredida até ser golpeada por vários golpes de faca. O crime aconteceu na frente da filha da vítima. Após os fatos, o réu tentou atentar contra a própria vida.

Na sentença, o magistrado observa que Camila Ferreira foi atraída para a casa do acusado para buscar sua filha, “uma situação fabricada pelo acusado, quando, segundo relatos das testemunhas, fez o possível para fugir, mas, mesmo assim, fora imobilizada e esfaqueada”.

Parlamentares prestigiam Arraial da Assembleia e destacam a força do São João maranhense

 

O Arraial da Assembleia recebeu, em sua primeira noite, vários parlamentares que aproveitaram a ocasião para se divertir e confraternizar com a população ao som de grupos de bumba meu boi, quadrilhas e danças típicas da cultura popular maranhense. O evento, promovido pelo Grupo de Esposas de Deputados do Maranhão (Gedema), segue até domingo (21), transformando o estacionamento do Palácio Manuel Beckman em um espaço onde o Parlamento e a sociedade civil se encontram para celebrar a identidade regional.

“É com muita alegria que a Assembleia Legislativa abre as portas da Casa do Povo para realizar o verdadeiro arraial da família maranhense. Nós, deputados e deputadas, preparamos uma festa com muito carinho, unindo a nossa cultura raiz a um ambiente seguro, tranquilo e totalmente acessível para garantir que a população venha prestigiar o melhor São João do mundo. Serão quatro noites de celebração, folclore e, acima de tudo, de valorização da nossa gente”, disse a presidente da Assembleia, deputada Iracema Vale (MDB).

O Arraial da Assembleia tem como características garantir ao público bem-estar, conforto e segurança e, para tanto, investe em infraestrutura contemplando desde a montagem das barracas, palco e espaços acessíveis até o esquema de mobilidade, permitindo que carros estacionem no Multicenter Sebrae, enquanto vans fazem o translado do público até o terreiro.

O deputado Antônio Pereira (MDB) destacou que o espaço é pensado com muito carinho. “Nós, deputados e deputadas, preparamos uma festa com muito carinho, em um ambiente seguro, tranquilo e totalmente acessível. Pensamos na comodidade de todos para garantir que nossa população prestigie nosso São João”, disse Antônio Pereira.

A evolução do evento ao longo dos anos também foi enfatizada pelo deputado Glalbert Cutrim (MDB). O parlamentar chamou a atenção para o salto de qualidade na organização do evento.

“A gente fica muito feliz que, a cada ano que passa, a estrutura melhora, fica ainda mais acessível às pessoas. Temos uma qualidade de barracas, de manifestações culturais e um grande público que pode desfrutar disso tudo com muita segurança”, ressaltou o parlamentar.

Valorização cultural

A programação artística do Arraial da Assembleia funciona como uma verdadeira vitrine da riqueza cultural do Maranhão, reunindo as principais manifestações folclóricas do estado, como os grupos de bumba meu boi, quadrilhas e danças portuguesas, além de outras expressões tradicionais da região.

O deputado Davi Brandão acentuou que a festividade desempenha um papel fundamental de integração coletiva, congregando diferentes setores em torno da celebração junina. “É o arraial da família, com uma participação popular muito grande, presença de deputados, servidores e, principalmente, do povo do Maranhão”, frisou Brandão.

A consolidação do Arraial da Assembleia como peça fundamental do período junino também foi vinculada pelos parlamentares à atual gestão da presidente Iracema Vale e à parceria com o Poder Executivo estadual. A deputada Ana do Gás enalteceu a condução dos trabalhos e o caráter histórico da atual Presidência do Legislativo.

“Mais um ano sob a gestão da primeira mulher presidente desta Casa em quase 200 anos e que está fazendo história. Isso não é diferente na nossa cultura, quando o governo do Maranhão apresenta para o mundo o melhor São João do Brasil”, declarou a parlamentar.


Para Wellington do Curso (PSD), a festividade tem a cara do Maranhense. “É mais um ano de festas com a cara do nosso povo. Esta é uma das datas mais bonitas do ano, um calendário festivo que representa uma oportunidade única de trazer a população para a Assembleia Legislativa”, destacou o parlamentar.