segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Veja como fica o funcionamento do Comércio em São Luís nos feriados de 7 e 8 de setembro

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Maranhão (Fecomércio-MA) informa que o comércio lojista de São Luís está autorizado a funcionar normalmente durante os feriados de 7 de setembro (Independência do Brasil) e 8 de setembro (aniversário da cidade) de 2026.

Segundo a convenção firmada com o Sindicato dos Comerciários de São Luís, os estabelecimentos localizados em ruas, avenidas, galerias e centros comerciais poderão abrir na segunda-feira (7) e na terça-feira (8), no horário das 8h às 18h. Já os shoppings centers funcionarão em ambos os dias das 10h às 22h.

Para a abertura nos feriados, as empresas deverão pagar as horas trabalhadas com acréscimo de 100% sobre o valor da hora normal, sem possibilidade de compensação por folgas, além de efetuar o pagamento de uma gratificação de R$ 53 aos empregados convocados.

Os estabelecimentos também precisam encaminhar a relação dos trabalhadores escalados para o e-mail atendimento@sindcomerciarios-ma.com.br e recolher a taxa de R$ 13 por funcionário. 

TJMA terá regime de plantão na segunda-feira (7/9)

O feriado de terça-feira (8/9) será apenas em São Luís pelo dia da Fundação da Cidade, considerado feriado municipal

Não haverá expediente no Judiciário do Estado do Maranhão na segunda-feira, 7/9 (Independência do Brasil), e terça-feira, 8/9 (Dia da Fundação da Cidade de São Luís), este último somente no Termo Judiciário de São Luís, da Comarca da Ilha de São Luís, considerado feriado municipal. As datas estão relacionadas na Resolução-GP- Nº 131/2025.

PLANTÃO

Para o atendimento das demandas urgentes - habeas corpus, mandados de segurança, agravos de instrumento e suspensão de liminares - ficará em funcionamento o plantão judicial, nas esferas cível e criminal da Justiça de 2º e 1º Graus.

A desembargadora Lucimary Castelo Branco Campos dos Santos, responderá pelo plantão do 2º Grau até domingo (6/9).

As servidoras plantonistas são Renata Everton Durans e Vivian Lopes Araujo. O número do telefone disponibilizado para o serviço é o (98) 98815-8344.

Na segunda (7/9), e terça (8/9), o desembargador Jamil de Miranda Gedeon Neto é que responderá pelo plantão do 2º Grau.

Lilah de Morais Barreto e Patricia Véras Veiga são as servidoras plantonistas.

SÃO LUÍS

No 1º Grau - Comarca da Ilha - A juíza Maricélia Costa Gonçalves (4ª Vara da Família de São Luís) e o juiz Rommel Cruz Viégas (8ª Vara Criminal de São Luís), respondem, respectivamente, pelos plantões cível e criminal deste final de semana. Quem auxilia a magistrada e o magistrado durante o plantão são o servidor Júlio César Lago Saraiva (4ª Vara da Família de São Luís) e a servidora Anna Paula Cantanhede Azevedo (8ª Vara da Criminal de São Luís).

Nos feriados da Independência do Brasil, dia 7 de setembro e da Fundação da Cidade de São Luís, dia 8 de setembro, os plantonistas cível e criminal são, respectivamente, a juíza Lorena de Sales Rodrigues Brandão (Vara do Idoso e dos Registros Públicos de São Luís) e o juiz Gilberto de Moura Lima (1ª Vara do Tribunal do Júri de São Luís).

Quem auxilia a magistrada e o magistrado durante o plantão, são a servidora Ibtissam Al Jawabra e o servidor Wesley dos Santos Miranda.

Antes de dirigir-se ao local de atendimento, deve-se entrar em contato com os plantonistas pelos telefones celulares (98) 98811-2153 (Cível) e (98) 98802-7484 (Criminal). O plantão funciona para recebimento somente de demandas urgentes.

Já o plantão para registro de óbito, sob a competência dos cartórios, deve ser acionado pelos contatos: (98) 98154-0540 (Noturno - de segunda a domingo) e (98) 2055 2767 (Diurno - aos sábados, domingos e feriados).

SEMAS empossa 60 novos servidores para fortalecer assistência social em São José de Ribamar

 

A Prefeitura de São José de Ribamar, liderada pelo prefeito Dr. Julinho (PODEMOS), por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS), sob o comando de Gilvana Duailibe, realizou na manhã desta sexta-feira (04), a cerimônia de posse dos aprovados no Processo Seletivo Simplificado. O evento marcou o acolhimento oficial de cerca de 60 novos profissionais que vão atuar em diversos equipamentos e programas sociais do município.

A solenidade contou com a presença da secretária da pasta, Gilvana Duailibe, do secretário adjunto, Alfredo Lima, e dos empossados, que celebraram o ingresso no serviço público e a oportunidade de contribuir diretamente com a população mais vulnerável.

O secretário adjunto, Alfredo Lima, destacou a importância da chegada dos novos servidores para o fortalecimento das políticas públicas e reafirmou o compromisso da gestão com a qualidade no atendimento. Ele deu as boas-vindas aos novos integrantes da equipe. "A Prefeitura de São José de Ribamar, através da Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS), tem a alegria de fazer o acolhimento dos novos funcionários da Secretaria. Foram seletivados no último seletivo simplificado, e hoje a gente tem uma grata alegria de recebê-los aqui", destacou.

Na sequência, a secretária Gilvana Duailibe reforçou a abrangência da atuação dos novos contratados e a capilaridade dos serviços que serão impactados positivamente com o reforço no quadro de pessoal. "São cerca de novos 60 servidores que contribuirão com a política de assistência social nos diversos equipamentos, como CRAS, CREAS, Centro POP e outros", enfatizou a secretária.

Representando os novos servidores, a empossada Cleilze expressou a expectativa e a responsabilidade de iniciar os trabalhos. Ela falou sobre a motivação de fazer parte de uma equipe que atua diretamente na transformação social. "É uma grande oportunidade para a gente poder ajudar quem mais precisa. Estou muito feliz e espero fazer um bom trabalho ao lado dos meus colegas", felicitou.

A cuidadora empossada Mayara Melo trouxe uma perspectiva emocionada sobre o cuidado com as pessoas e a missão que os novos servidores carregam a partir de agora. "Ser cuidadora é mais que uma profissão, é um dom. E poder exercer isso aqui, na nossa cidade, é gratificante demais. Vamos com muita garra para atender bem a nossa população", lembrou.

Com a posse, a SEMAS passa a contar com um contingente maior de profissionais para atuar nos CRAS, CREAS, Centro POP, no programa Criança Feliz, nas equipes de abordagem social e no serviço de cuidadores, ampliando a capacidade de acolhimento e suporte às famílias em situação de vulnerabilidade social no município.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Gestão da CGJ-MA completa 100 dias e avalia ações estratégicas

Metas e ações estratégicas foram apresentadas por cada setor

A gestão da Corregedoria Geral da Justiça do Maranhão (CGJ-MA) para o biênio 2026/2028) completou 100 dias de trabalho e realizou a primeira Reunião de Avaliação da Estratégia (RAE) com seus juízes e juízas auxiliares para discutir o alinhamento das ações, visando ao alcance das metas estratégicas de gestão.

A reunião, em 1º de setembro, foi aberta de forma virtual pelo corregedor-geral da Justiça, desembargador José Gonçalo Filho, durante viagem à Região dos Cocais. O corregedor enfatizou a importância da gestão e do planejamento para o funcionamento eficiente do Judiciário.

Participaram da reunião o diretor-geral da CGJ-MA, Raimundo Oliveira Júnior e os juízes auxiliares Francisco Reis Júnior, coordenador do planejamento estratégico; Mário Prazeres Neto, coordenador dos juizados especiais; Marcelo Oka, diretor do Fórum de São Luís; Francisco Ferreira Lima e Teresa Nina, servidores e servidoras.

IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO

O juiz Francisco Reis Lima destacou a importância da RAE para a gestão na entrega da Justiça, em conformidade com as orientações do Conselho Nacional de Justiça; identificar e trabalhar as necessidades dos setores para identificar soluções e executar as ações planejadas.

Dentre os temas submetidos à avaliação conjunta, os juízes e equipes discutiram a necessidade de avaliar a ideia de realizar mutirões para processar e julgar ações de violência doméstica em comarcas com alta demanda e medidas para facilitar o acesso da população junto aos juizados especiais.

A juíza Teresa Nina explicou sobre a composição do NAUJ (Núcleo de Apoio Às Unidades Judiciais) - com 21 juízes e juízas, 30 assessores e assessoras e 19 residentes - e produtividade de 6.662 sentenças, 15.056 decisões e 12.130 despachos. O maior desafio, segundo a juíza, é cumprir a Meta 8 (violência doméstica), com 1.184 processos pendentes de julgamento e a necessidade de realizar 670 audiências até dezembro.

JUIZADOS ESPECIAIS

Na área dos juizados especiais, o coordenador Mário Prazeres apresentou diversas destacou o planejamento de um conjunto de ações que visam simplificar o acesso ao sistema e cumprir as metas estabelecidas. Dentre as mais relevantes, adotar o critério de distribuição de processos por sorteio nos juizados especiais, já adotado em Imperatriz, em substituição ao de área de abrangência territorial e elaborado um guia financeiro interativo, esquematizado em camadas, para orientar o público interno sobre adiantamentos e prestação de contas.

O projeto "Mapa Legal", por exemplo, propõe criar um mapa interativo para facilitar o acesso do cidadão aos serviços, considerado fundamental para redefinir a competência territorial dos juizados e o uso de ferramenta de gravação de áudio no sistema de Processo Judicial (PJe).

Foi ressaltado ainda que o preparo do novo regimento interno das turmas recursais dos juizados especiais já está em andamento, mas aguarda a finalização do novo regimento interno do Tribunal de Justiça para ser apresentado.

NÚCLEO DE INTELIGÊNCIA

A Divisão de Projetos destacou a criação do núcleo de inteligência, que utiliza reuniões estratégicas para identificar mapas de calor processual e focar a atuação da Corregedoria, para melhorar a posição nacional do Maranhão em produtividade. A Divisão enfatizou que a gestão busca não apenas números, mas a efetividade e qualidade das decisões, "com um foco especial no combate ao feminicídio e na melhoria dos indicadores de combate à violência doméstica".

A Corregedoria apresentou ferramentas como o CAD e o monitoramento de metas, que permitem avaliar o desempenho de unidades e orientar correções de forma objetiva, além de diretrizes estabelecidas para o uso ético de Inteligência Artificial .Foi anunciado o desenvolvimento de um painel de trabalho para oficiais de justiça, visando facilitar o cumprimento de mandados e a vinculação direta com os indicadores.

Na área de capacitação, foi apresentada a proposta de capacitar as unidades judiciais para que realizem cálculos judiciais internamente, sem depender exclusivamente do setor da Contadoria Judicial e desenvolver um sistema de suporte para orientar os juízes sobre a correta formatação dos despachos de cálculo, visando evitar termos genéricos.

INFORMATIZAÇÃO E IA

Em relação à informatização de serviços, foi discutida a possibilidade de automatizar os processos de emissão de certidões de férias de juízes e juízas, assim como a marcação de férias, diretamente no Sistema Sentinela. Ficou acertada uma consulta ao Laboratório de Inovação (Toada Lab) para identificar ferramentas de automação aplicáveis ao primeiro grau e desenvolver um módulo para identificar os sistemas utilizados pela corregedoria.

Quanto ao uso de IA, foi apresentada a necessidade de planejar a implementação de ferramentas de IA para as atividades da CGJ_MA e ajustar e submeter minuta de portaria sobre a governança de tratamento de dados sensíveis. Foi mencionada, ainda, a necessidade de atualizar o Sistema Disciplinar, com a inclusão de processos de penalidade de juízes e juízas dos últimos 10 anos.

A equipe de informática destacou a remodelação da estrutura de dados para permitir a visualização de histórico de desempenho das unidades, o que facilitará a comparação de evolução temporal. Além dos dados do prêmio "CNJ de Qualidade" a expectativa é incluir indicadores desse órgão e expandir a base de dados, com a automação de relatórios em para facilitar o uso durante viagens de inspeção às comarcas.

Na área da comunicação, quatro ações principais focaram os 100 dias de gestão: a execução da política de comunicação do Poder Judiciário, a ampliação da comunicação institucional, intensificação da presença digital e produção de vídeos explicativos. Dentre os resultados, a produção de infográficos, materiais sobre o sistema PJe e a implementação de explicações em linguagem simples sobre termos técnicos do Direito no portal do Judiciário.

Fórum de São Luís define planejamento para Semana Nacional de Regularização Tributária


O diretor do Fórum Des. Sarney Costa, em São Luís, juiz Marcelo Oka, reuniu-se nessa quarta-feira (2/9) com o presidente do Nucoop (Núcleo de Cooperação Judiciária), desembargador Raimundo Neris, o coordenador do Nupemec (Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos), juiz Rodrigo Nina, e os juízes titulares e a juíza das Varas de Execução Fiscal de São Luís, Edilson Caridade, José Ribamar Heluy Júnior e Samira Heluy. O objetivo da reunião foi estabelecer o planejamento para a Semana Nacional de Regularização Tributária, que será realizada no período de 5 a 9 de outubro.

O desembargador Raimundo Neris destacou que o alinhamento das ações e a definição de estratégias são etapas fundamentais para a realização da Semana Nacional de Regularização Tributária. "Nossa intenção é oferecer uma resposta mais rápida e efetiva para aqueles que têm débitos tributários e, ao mesmo tempo, contribuir para a redução da quantidade de processos que chegam ao Judiciário", destacou o magistrado.

Durante a reunião, foram discutidas as ações e estratégias para a realização da programação, com foco na regularização de débitos tributários e na solução consensual de conflitos envolvendo a execução fiscal.

O juiz Marcelo Oka ressaltou que a Semana Nacional de Regularização Tributária representa uma oportunidade para que as pessoas interessadas procurem os serviços da Justiça com o objetivo de negociar e formalizar acordos. O magistrado também destacou o apoio da Diretoria do Fórum na disponibilização da infraestrutura necessária para a realização da ação.

A Semana Nacional de Regularização Tributária, promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), é uma iniciativa que possibilita a negociação de débitos fiscais da população e integra a política judiciária que visa incentivar o uso de meios consensuais para solução de litígios tributários.

No Maranhão, o evento contará com a atuação conjunta do Tribunal de Justiça (TJMA), por meio do Nupemec, do Nucoop e da Corregedoria Geral da Justiça (CGJ/MA) em parceria com instituições financeiras, estado e municípios.

Execução Fiscal - A 10ª, 11ª e 12ª Varas de Execução Fiscais são responsáveis pelo julgamento de ações relacionadas a executivos fiscais do Estado do Maranhão e do Município de São Luís, relacionadas a impostos e taxas, a exemplo de ICMS (Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços), IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), ISS (Imposto sobre Serviços), IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores).

TJMA julga inconstitucional lei que criou cargos em comissão com atribuições de efetivos em Balsas

 

O Tribunal de Justiça do Maranhão julgou procedente, nessa quarta-feira (2/9), o pedido do Ministério Público estadual para declarar a inconstitucionalidade das expressões "Assistente de Fiscalização de Contratos", "Assistente de Compras e Serviços", "Presidente de Comissão Permanente de Licitações", "Assistente da Comissão de Licitação", "Tesoureiro", "Assessor de Imprensa", "Contador" e "Ouvidor", constantes em anexo da Lei nº 1.045/2009, do Município de Balsas, com redação dada pela Lei nº 1.655/2023.

O entendimento é que, mesmo após a redação mais recente, dada pela Lei nº 1.655/2023, a legislação que "dispõe sobre a estruturação administrativa da Câmara Municipal de Balsas, cria o plano de cargos, carreira e vencimentos, estabelece normas gerais de enquadramento, institui tabela de vencimentos e dá outras providências", contém cargos em comissão que nem sequer possuem descrição legislativa clara a respeito das atribuições, além de outros que possuem atribuições de cargos efetivos, por serem funções eminentemente burocráticas, técnicas e operacionais - e que deveriam ser preenchidos por meio de aprovação em concurso público.

A votação unânime dos desembargadores e das desembargadoras, com efeitos ex-nunc (de agora em diante), foi de acordo com o parecer da Procuradoria Geral de Justiça e ocorreu em sessão do Órgão Especial da Corte.

A ação direta de inconstitucionalidade (Adin) proposta afirma que a lei contraria dispositivos da Constituição Federal e da Constituição do Estado. Entre estas normas constitucionais, está a que determina que "a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração".

NOVA LEI

Antes de entrar no mérito da Adin, o relator da ação, desembargador Nilo Ribeiro Filho, anunciou ter recebido uma petição do Município de Balsas, alegando a entrada em vigor de uma nova legislação, a Lei Municipal nº 1.864/2026, sancionada no dia 1º de setembro, véspera do julgamento, e publicada no Diário Oficial do Município nessa quarta-feira, dia 2.

O município argumentou que a nova lei em vigor promoveu nova estrutura administrativa da Câmara Municipal, que teria revogado normas da anterior, e pediu a retirada de pauta da ação ou a extinção sem resolução do mérito, sob a alegação de perda superveniente do objeto - quando o motivo ou o pedido de uma ação judicial deixa de existir após o processo já ter começado.

O desembargador comparou o conteúdo das duas leis e verificou que não houve demonstração de revogação total das normas impugnadas da antiga lei pela nova legislação. Nilo Ribeiro Filho levantou questão de ordem e votou pelo indeferimento do pedido feito pelo município, com consequente continuidade do julgamento, entendimento acompanhado pela maioria dos magistrados e magistradas.

MÉRITO

O relator entendeu que a criação de uma nova lei não prejudica a análise do mérito, pois a controvérsia sobre a constitucionalidade das atribuições permanece.

O relator da Adin citou os cargos listados e entendeu que a nova lei preservou, em grande parte, o conteúdo normativo e as atribuições funcionais dos cargos questionados que constavam na lei anterior e que, portanto, deveriam ser preenchidos por meio de aprovação em concurso público.

"É constitucional submeter, ao regime de livre nomeação e exoneração, funções que, examinadas em seu conteúdo material, possuem natureza técnica, burocrática, operativa?", perguntou o relator, que respondeu em seguida entender que não.

A partir da distinção entre regra - aprovação em concurso público - e exceção, o desembargador Nilo Ribeiro examinou a legislação municipal impugnada. Com base no Tema 1.010 do Supremo Tribunal Federal (STF), concluiu que as funções exercidas pelos cargos citados possuem natureza técnica, burocrática e permanente, não se enquadrando como cargos de direção, chefia ou assessoramento que exijam especial relação de confiança.

"Nos quadros em que a lei descreveu as funções, elas revelam a natureza predominantemente técnica, burocrática ou operacional. Naqueles em que não as descreveu, falta justamente o elemento normativo necessário para demonstrar que se enquadram na inserção constitucional", pontuou Nilo Ribeiro Filho.

Acrescentou, ainda, que a simples alteração de nomenclatura não justifica a criação de cargos em comissão para atividades que deveriam ser preenchidas via concurso público.

O relator indeferiu o pedido de modulação de efeitos para o futuro, mantendo-se a validade apenas dos atos administrativos praticados de boa-fé e os efeitos funcionais e remuneratórios já consumados até a publicação do acórdão.

Os demais desembargadores e desembargadoras acompanharam na íntegra o voto do relator.

Dino diz que STF é maior que seus ministros e cobra enfrentamento de “problemas reais”

 

O ministro Flávio Dino afirmou nesta sexta-feira (4) que o Supremo Tribunal Federal (STF) “é maior do que qualquer um que o integra” e defendeu que os problemas enfrentados pela Corte sejam tratados com respeito ao devido processo legal. A manifestação ocorre em meio à grave crise institucional provocada pela divulgação de novos diálogos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes no âmbito do Caso Master.

Sem mencionar diretamente Moraes, Vorcaro ou o ministro André Mendonça, relator das investigações, Dino escreveu que a “lealdade institucional exige enfrentar os problemas reais, com o devido processo legal e no tempo certo”.

“Ética da convicção e ética da responsabilidade, como nos ensinou Weber”, acrescentou, em publicação nas redes sociais.

Dino iniciou a manifestação citando a frase do orador romano Cícero “cedam as armas à toga”. Segundo ele, a referência simboliza a prevalência do poder civil, da palavra, da ponderação, do julgamento racional, da sobriedade e dos procedimentos institucionais.

“Um país sem instituições jurídicas sólidas é o sonho dos criminosos e abusadores de todos os feitios. E dos equivocados que se acham tão fortes que não precisam do Estado Nacional”, escreveu.

O ministro também defendeu que, diante de uma crise, é necessário ouvir e examinar cuidadosamente os fatos. Dino advertiu que a superficialidade, inclusive quando produzida por um “efeito manada”, pode levar a tragédias.

“Lembremos as chacinas, os golpes de Estado, as guerras; tudo isso sempre está logo ali na esquina”, declarou.

A publicação foi feita três dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens e registros encontrados no celular de Vorcaro. O documento de 218 páginas reúne elementos sobre contatos atribuídos ao ex-controlador do Banco Master e Moraes. Em uma das mensagens, enviada dias antes da prisão de Vorcaro, o banqueiro pergunta se deveria deixar o país diante da possibilidade de uma operação policial. Em outra, declara ter “gratidão” e uma “dívida de vida” com o magistrado e sua família. A PF informou que ainda não havia realizado atos de aprofundamento investigativo direcionados a Moraes ou a outros ministros. CNN Brasil

A divulgação do material aprofundou a divisão interna no Supremo. Antes da retirada do sigilo, Moraes e Mendonça tiveram uma conversa descrita nos bastidores como “direta, dura e ríspida”. Mendonça defendeu que os novos elementos sejam analisados publicamente pelo plenário, enquanto Moraes pediu a investigação do colega por supostos abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem informações sobre o episódio. Fachin também retirou do inquérito das fake news o pedido de investigação contra Mendonça e encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República, que terá cinco dias úteis para se manifestar sobre a admissibilidade e a regularidade do procedimento. Folha de S.Paulo

Em outro trecho da publicação, Dino diferenciou o tempo cronológico do que chamou de “tempo oportuno” para a atuação institucional. Segundo ele, se o sistema jurídico não possuir capacidade própria de funcionamento, pode se transformar em “mero joguete de outros poderes”, de forças partidárias, de Estados estrangeiros ou de organizações criminosas.

Dino também rejeitou a interpretação de que a continuidade normal dos julgamentos represente indiferença diante da crise.

“Seguir julgando os nossos processos judiciais não é autossuficiência ou ‘fingir que não há crise’. É fazer com que a toga fale mais alto do que as armas ou eventuais gritos de hipócritas”, afirmou.

Ao concluir, o ministro recorreu a uma passagem bíblica sobre a necessidade de cada pessoa observar os próprios erros antes de apontar os defeitos alheios. A mensagem de Dino combina uma defesa da autoridade institucional do Supremo com a cobrança para que as acusações sejam efetivamente enfrentadas — respeitados os procedimentos legais e o que chamou de “tempo certo”.