terça-feira, 11 de setembro de 2018

DIAS MELHORES, por Carlos Lula



A nossa moderna música brasileira é - hoje, menos que ontem - feliz em suas composições. Talvez nunca se tenha produzido tanto e, também por isso, se tenha tanta música de baixa qualidade. Mas quero aqui falar da composição de uma banda que é tão amada quanto criticada. Falo de ‘Dias Melhores’. Composta por Rogério Flausino, líder da banda Jota Quest, a canção descreve a fé no futuro. Refletindo em tudo o que experimentamos nos últimos quatro anos, essa música me conduziu, com uma breve oração.

Conhecem a expressão “eu vivi para viver isso”? Geralmente, chegamos a ouvir durante um acontecimento muito desejado - ou totalmente inesperado - tornado real. Nos últimos anos escutamos essa frase inúmeras vezes. Quando inauguramos um novo hospital, ou quando pacientes participaram de mutirões de cirurgias na própria cidade, ou quando veem o Maranhão virar modelo para o Brasil de algo bom, como com a Casa de Apoio Ninar, por exemplo.

Voltando a canção, a balada diz “vivemos esperando dias melhores, dias de paz, dias a mais, dias que não deixaremos para trás”. A construção desse novo Maranhão já é resultado dos nossos melhores dias. Estamos muito melhores hoje, agora, do que jamais estivemos. Eu nasci, cresci, me formei, construí família nesse estado. Eu sei bem o que meus olhos viram e sei a história dos nossos antepassados.

Durante muitos anos, o costume dos maranhenses era ter de abandonar o estado ou se mudar para a capital a fim de garantir uma vida melhor, o que não representava necessariamente que haveria qualidade nesse sacrifício. Com meus pais foi assim. No Maranhão, no passado, tudo de melhor estava concentrado em São Luís. A melhor saúde pública, as melhores instituições de ensino público, os empregos, e, por assim dizer, a infraestrutura. Nosso interior se tornava cada vez mais desassistido, pobre e ignorado – resultando nos piores Índices de Desenvolvimento Humano do país concentrados em nossas cidades.

De fato, talvez um poço de água para uma comunidade de 200 pessoas não seja grande coisa para alguns. Estamos falando de água, certo?! Há quem não considere um projeto relevante. Há quem tenha criticado o Governo por substituir a casa de festas por uma unidade de saúde para cuidados específicos de crianças com problemas de neurodesenvolvimento. Trocar lazer de um grupo privilegiado por qualidade de vida para centenas de crianças e suas famílias já é, sem dúvidas, parte desses nossos dias melhores.

A questão é – todos nós vivemos esperando por dias melhores. Uma maranhense que pela primeira vez viu água em seu pequeno povoado esperou esse dia chegar tanto quanto uma maranhense que espera o abastecimento encher sua caixa d’água dentro de casa, no bairro de classe média na capital.

Se é possível permitir dias melhores para uma maioria por que não estender o mesmo desejo para quem está nos rincões do nosso estado? Por exemplo, nosso Hospital, que também é Maternidade em Balsas. Mesmo havendo maternidade em Imperatriz, há quem acreditasse em desperdício de recursos abrirmos uma unidade na cidade vizinha. Só não pensaram nas vidas que poupamos ao evitar esse trajeto de quase 400km. Sequer souberam quantas vidas nasceram ou foram salvas nessa unidade.

Precisamos pensar coletivamente. Como canta Jota Quest “vivemos esperando o dia em que seremos melhores no amor” – que nossa empatia cresça. Nossos dias são melhores quando desejamos juntos seguir o mesmo caminho. Este é nosso tempo de crer e prosseguir em dias melhores para o nosso Maranhão.

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