O Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais (Ceipe) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) vem promovendo uma série de webinars com tema central “Respostas de Redes de Ensino à Pandemia” e na última quinta-feira (04), o debate virtual contou com a presença do secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão, que apresentou as ações de enfrentamento e o planejamento do Maranhão para a retomada das aulas presenciais no pós-pandemia.
“O Ceipe vem tentando, desde o início da pandemia, apoiar as diferentes redes educacionais na sua resposta à Covid-19. Seja traduzindo textos internacionais, seja preparando materiais para a aprendizagem remota, seja preparando recomendações para quando a volta às aulas ocorrer. E é um prazer dialogar com esses dois parceiros que nos relataram suas ações. Mas, como sempre digo nada do que está sendo feito é perfeito, nós fomos pegos de surpresa com a pandemia, nenhum dos nossos convidados é epidemiologista, mas tiveram que se inspirar no conhecimento que cada estrado e o pais tem sobre a evolução da pandemia”, disse Claudia Costin, diretora do Ceipe, e coordenadora da série de Webinars.
Em sua fala Felipe Camarão destacou o cenário e a perspectiva da rede estadual de ensino do Maranhão, não apenas no período da pandemia, mas também o que já vem sendo pensado para o pós-pandemia.
“A educação se faz no campo social, não se faz com improviso, mesmo com a pandemia, que pegou a todos nós de surpresa, mas apesar disso estamos fazendo tudo com muito compromisso e planejamento, com profissionais com a formação adequada, com e para seres humanos, alicerçado nos princípios do amor e da solidariedade”, iniciou Felipe Camarão.
O secretário estadual apresentou dados do cenário maranhense e explicou ações imediatas que foram adotadas em todo o território maranhense para que os impactos provocados pela pandemia fossem os menores possíveis.
“A educação presencial, o professor em sala de aula, é insubstituível. Mas não poderíamos também ficar sem fazer nada e por isso, criamos, na rede estadual, o Projeto ‘Fiquem em casa aprendendo’. E desde o início disso tudo nos reunimos e montamos um verdadeiro comitê Educacional Covid-19, onde discutimos com todos os agentes educacionais: Seduc, Sindicato dos Professores, Sindicato das Escolas Particulares, UNCME, UNDIME, Ministério Público, Conselho Estadual de Educação e regulamentamos as atividades pedagógicas não presenciais”, afirmou Camarão.
Felipe ainda chamou atenção para o fato de que, apesar de todas as atividades não presenciais estarem regulamentadas, nada foi imposto aos professores e gestores escolares, no Maranhão as aulas não presenciais seguem as particularidades de cada rede de ensino e a ainda de cada região e educador envolvido.
“Aqui respeitamos a liberdade de cátedra de cada professor, não impusemos uma plataforma para ninguém. Além disso, disponibilizamos aulas pela TV e Rádio – por meio de parcerias, podcasts em nosso site, Youtube. Não somos especialistas, mas temos estudado e estamos buscando cada vez mais, em esforços conjuntos, ações que englobem desde a Educação Infantil até o Ensino Médio”, reafirmou Camarão.
O webinar dessa quinta contou também com a participação da secretária de Educação do Município de Angra dos Reis, e presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) do Rio de Janeiro, Stella Salomão, que apresentou como o trabalho tem sido realizado na rede municipal daquele estado.
Stella Salomão falou mostrou as ações desenvolvidas na rede municipal do Angra dos Reis por meio do ‘Projeto Apoiar – Apoio Pedagógico e Interativo de Angra dos Reis’, e também chamou atenção para a importância da criação de materiais que englobem conteúdos referentes à nova BNCC.
“Todo dia se aprende, em cada momento como esse a gente aprende. A Undime tem se constituído em uma grande escola e rede de formação, tem sido um espaço de muita troca e essa colaboração tem ajudado a todos. A lição é a constatação da desigualdade de oportunidade e acesso da tecnologia de informação e comunicação para a nossas comunidades e para os nossos professores, eles não foram orientados para isso, precisamos pensar em formações para os nossos professores. A escola precisa se reinventar, e a possibilidade de um trabalho colaborativo e em rede para a retomada dos trabalhos em um pós-pandemia, é extremamente importante”, falou a secretária Municipal.
Os palestrantes, Felipe Camarão e Stella Salomão, ainda explanaram sobre como estão lidando com a crise, por conta do isolamento social, e as iniciativas que serão adotadas no pós-pandemia.“Tem sido louvável o empenho que todas as redes, de todo o Brasil, tem envolvido para garantir de alguma forma o aprendizado a todos os estudantes. Agora precisamos atentar para a garantia do bom retorno respeitando as devidas medidas de segurança que esse ‘novo normal’ nos impõe”, disse Felipe Camarão, que também destacou o que tem sido estudado para quando do retorno gradativo das aulas presenciais no estado do Maranhão. Nesta semana, por exemplo, o Governo do Estado adquiriu mais de 1500 termômetros digitais que servirão para a aferição de temperatura dos estudantes e comunidade escolar. Além das semanas acolhida com apoio psicoemocional que têm sido pensadas pelas equipes de aprendizagem para a retomada das aulas.
“Vidas foram e, infelizmente, ainda estão sendo perdidas por conta desse vírus, então seria desumano ‘jogar’ um professor ou um estudante ou um gestor escolar em atividades presenciais de uma hora para outra. Estamos preparando todo um momento de acolhida para receber da menor forma e quando for devidamente adequado, atendendo a todas as medidas de segurança, nossas comunidades escolares”, concluiu Felipe Camarão.
O evento contou ainda com a mediação das coordenadoras do Ceipe, Raquel Oliveira e Deborah Lourenço.

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