Novo estudo do Instituto Trata Brasil aponta leve avanço nos serviços em 10 anos e estabilidade dos gastos das famílias brasileiras com saneamento
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| Foto Ilustrativa |
JULHO 2021 - O novo estudo do Instituto Trata Brasil, "As Despesas da Família Brasileira com Água Tratada e Coleta de Esgoto", elaborado pela Ex Ante, traz balanço inédito sobre os gastos familiares com serviços de saneamento básico nas cidades brasileiras, comparativamente a outras infraestruturas (energia, telecomunicações, gás), bem como o que significam esses gastos frente à renda familiar. O estudo se reveste de grande importância para podermos entender o peso das despesas em relação à necessidade dos serviços de água tratada, coleta e tratamento de esgotos para a qualidade de vida dos brasileiros.
O estudo apontou que houve avanço nos serviços nos últimos 10 anos (período de 2008 a 2018), o que significa que mais famílias tiveram acesso aos serviços de água e coleta dos esgotos. O aumento foi de 2,2% ao ano de famílias com acesso às redes de água e de 3,7% ao ano de famílias ligadas às redes de coleta de esgoto. Atualizando-se monetariamente os valores, a despesa nacional média das famílias com as contas de água e esgotos não aumentou; ao contrário, houve ligeira queda de 1,0% no período, passando de R$ 68,86 em 2008 para R$ 68,20 em 2018, o que mostra que as famílias brasileiras continuaram pagando basicamente o mesmo valor, sem pressão inflacionária. Importante notar que neste mesmo ano, 2018, as despesas médias das famílias brasileiras com telecomunicação foram de R$ 117,31 e com energia elétrica de R$ 124,75, em média. No período de 2008 a 2018, enquanto as despesas médias com eletricidade e telecomunicação cresceram 4,3%e 7,6% respectivamente, as com água e esgoto caíram 1,0%.
Em resumo, o peso das despesas com saneamento na renda das famílias reduziu de 1,37% para 1,26%, ao mesmo tempo em que as famílias brasileiras gastaram mais com energia elétrica e telecomunicações. Em 2018, nas famílias mais pobres, o custo da energia representava 6% da renda mensal, as telecomunicações 5,6%, saneamento 3,7% e gás (encanado ou botijão) de 3%.
O estudo apontou a variação do valor da conta de água e esgoto dependendo do nível de atendimento prestado e outros aspectos considerados pelas empresas e agências reguladoras. Como exemplo, famílias do Distrito Federal têm um custo médio de R$ 103,93 com saneamento, enquanto as famílias do Acre têm um custo de R$ 36,56. Essa diferença se explica pelo atendimento dos serviços e poder aquisitivo das pessoas, conforme explica o autor do estudo, pesquisador e economista, Dr. Fernando Garcia de Freitas. "As diferenças no valor pago depende de vários fatores. Em Brasília, por exemplo, se concentra um maior número de trabalhadores com renda familiar bem acima de outras cidades, o serviço de água chega a 99% da população e o esgoto para 90%. Já no Acre, somente 48% da população tem serviço de água e 10% têm coleta de esgoto, então é natural que os custos médios mensais sejam menores com esses serviços, além do poder aquisitivo da população ser menor."
COMPARAÇÃO DOS CUSTOS DO BRASIL COM OUTROS PAÍSES
O estudo também comparou os custos das famílias com os serviços de água tratada, coleta e tratamento de esgotos no Brasil com o de outros países latino-americanos. Em 2018, a despesa média com esses serviços das unidades de consumo brasileiras ficou 12,6% abaixo da realizada pelas famílias chilenas e 35% abaixo das mexicanas. Na comparação com as famílias colombianas, o peso da conta de água e esgoto no Brasil (1,12%) foi inferior ao da Colômbia (1,30%).
MAIS DE 9 MILHÕES DE FAMÍLIAS TÊM OS SERVIÇOS DE ÁGUA, MAS NÃO PAGAM
O estudo mostra também que, em 2018, 9,2 milhões de famílias não pagavam a conta de água e esgoto, o que demonstra outro desafio para as empresas operadoras e autoridades dos municípios. Nas áreas urbanas, houve aumento no número de famílias que pagavam a conta de água e esgoto, saltando de 38,2 milhões em 2008 para 46,2 milhões em 2018. Nas áreas rurais também, as saíram de 2,2 para 3,2 milhões respectivamente.
Das 49,4 milhões de famílias que têm os serviços disponíveis e que pagam, 22,1 milhões estão na região Sudeste. Olhando nos estados, viu-se que no Amapá apenas 30% da população com acesso aos serviços paga por eles, depois o Rio de Janeiro, com 52,3% pagando e o Pará com 61,2%.

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