Mais de 10 mil farmácias em todo o país poderão receber pedidos de ajuda e acionar as autoridades
A
Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e o Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) uniram forças para lançar, nesta 4ª feira (10/6), a
campanha Sinal Vermelho contra a violência doméstica. O Tribunal de
Justiça do Maranhão (TJMA), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher
em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEMulher), promoverá a
campanha no âmbito do Estado do Maranhão. A CEMulher é presidida pelo
desembargador Cleones Cunha.
O
objetivo é incentivar denúncias por meio de um símbolo: ao desenhar um
“X” na mão e exibi-lo ao farmacêutico ou ao atendente da farmácia, a
vítima poderá receber auxílio e acionar as autoridades. O lançamento
oficial ocorre às 11h, nos canais do YouTube do CNJ e da AMB, seguido de
live da AMB, às 14h, com a presença da apresentadora e atriz Ana
Furtado pelo Instagram (@campanhasinalvermelho).
A
ação conta com a participação de quase 10 mil farmácias em todo o país,
e é uma resposta conjunta de membros do Judiciário ao recente aumento
nos registros de violência em meio à pandemia. Uma das consequências da
quarentena foi expôr mulheres e crianças a uma maior vulnerabilidade
dentro do próprio lar. “A vítima, muitas vezes, não consegue denunciar
as agressões porque está sob constante vigilância. Por isso, é preciso
agir com urgência”, explica a presidente da AMB, Renata Gil, que é juíza
criminal no Rio de Janeiro há 22 anos.
Ainda
de acordo com a presidente da AMB, campanhas que facilitem esse tipo de
denúncia podem auxiliar pessoas que sofrem. “Várias situações impedem a
notificação da forma como ela deveria ocorrer, porque as vítimas
normalmente têm vergonha, têm receio do seu agressor, e medo de morrer.
Assim, a campanha é direcionada para todas as mulheres que possuem essa
dificuldade de prestar queixa”, afirmou.
Após
a denúncia, os profissionais das farmácias seguem um protocolo para
comunicar a polícia e ao acolhimento à vítima. Balconistas e
farmacêuticos não serão conduzidos à delegacia e nem, necessariamente,
chamados a testemunhar.
A
conselheira do CNJ, Maria Cristiana Ziouva, afirma que, na maioria dos
casos, as agressões são cometidas por parceiros. O abuso de álcool
também pode provocar comportamentos violentos. “Situações de estresse e a
instabilidade econômica potencializam os riscos, especialmente neste
momento delicado”, explica. Para a conselheira e procuradora regional da
República, a atuação conjunta no combate à violência é imprescindível.
“Precisamos de união, e cada instituição apoiadora desempenha um
relevante papel nessa luta”, concluiu.
Em
março e abril, o índice de feminicídios cresceu 22,2%, de acordo com o
Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Já as chamadas para o número 180
tiveram aumento de 34% em comparação ao mesmo período do ano passado,
segundo balanço do governo federal.
Para
difundir a campanha, os organizadores contam com o apoio da Abrafarma,
Abrafad, Instituto Mary Kay, Grupo Mulheres do Brasil, Mulheres do
Varejo, Conselho Federal de Farmácias, Conselho Nacional dos Chefes da
Polícia Civil, Conselho Nacional dos Comandantes Gerais, Colégio das
Coordenadorias Estaduais da Mulher em Situação de Violência Doméstica,
Fonavid, Ministério Público do Trabalho, Colégio Nacional dos Defensores
Públicos Gerais, Conselho Nacional do Ministério Público, Colégio
Nacional dos Defensores Públicos Gerais, Promulher do Ministério da
Justiça e Segurança Pública.

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