segunda-feira, 13 de julho de 2020

Empresários ligados ao MBL são presos em operação contra lavagem de dinheiro


Duas pessoas ligadas ao MBL (Movimento Brasil Livre) foram presas na manhã desta 6ª feira (10.jul.2020). Alessander Monaco Ferreira e Carlos Augusto são investigados por desviar mais de R$ 400 milhões de empresas. A operação Juno Moneta foi realizada pela Polícia Civil, Ministério Público Estadual e Receita Federal.
Segundo nota do MP (leia a íntegra no fim deste post), Carlos Augusto e Alessander Monaco são investigados por lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. São cumpridos, além dos 2 mandados de prisão, 6 de buscas e apreensão na cidade de São Paulo e em Bragança Paulista, interior do Estado. Um dos mandados de busca ocorre na sede do MBL, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo.
A operação foi às ruas com 35 policiais civis do Dope (Departamento de Operações Policiais Estratégicas) e 16 viaturas.
Ao Poder360, o deputado Kim Kataguiri afirmou que os alvos da operação não são integrantes do MBL. “O que aconteceu foi uma confusão causada por uma notícia errônea, veiculada por 1 portal”, disse. “Carlos Augusto tinha 1 blog e participava como comentarista no MBL. O Alessander Monaco mandava perguntas ao programa MBL News” afirmou Kim. 
O MP também diz que o MBL recebia “doações de forma suspeita” por meio de “cifras ocultas” em uma “confusão jurídica empresarial” com o MRL (Movimento Renovação Liberal).
O MP informou que foram apreendidas diversas mídias digitais, entre celulares, computadores, HDs e pendrives, documentos impressos e dinheiro.

Leia a íntegra da nota do Ministério Público

“NOTA À IMPRENSA – Operação Juno Moneta
Nos Autos de Procedimentos Cautelares Criminais, na data de hoje foram cumpridos mandados de busca e apreensões e duas prisões temporárias de 5 dias em relação a pessoas e empresas ligadas ao MBL (Movimento Brasil Livre) e MRL (Movimento Renovação Liberal) pelo Ministério Público de São Paulo (GEDEC), pela Receita Federal e pela Polícia Civil de São Paulo em 6 endereços correspondentes às empresas envolvidas na investigação sobre prática de crimes de lavagem de dinheiro.
As prisões temporárias foram realizadas em relação a Alessander Monaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso (alcunha: Luciano Ayan), os quais, segundo a investigação, mantêm estreitas ligações com os movimentos.
As evidências já obtidas indicam que estes envolvidos, entre outros, construíram efetiva blindagem patrimonial composta por um número significativo de pessoas jurídicas, tornando o fluxo de recursos extremamente difícil de ser rastreado, inclusive utilizando-se de criptoativos e interpostas pessoas.
No curso dos trabalhos conjuntos ficaram evidenciadas:
Movimento Brasil Livre:
• Confusão jurídica empresarial entre as empresas MBL e MRL;
• Recebimento de doações de forma suspeita (cifras ocultas). Recebimento de doações através da plataforma Google Pagamentos – que desconta 30% do valor, ao invés de doações diretas na conta do MBL/MRL;
• Constituição e utilização de diversas empresas em incontáveis outras irregularidades, especialmente fiscais. A família Ferreira dos Santos, criadora do MBL, adquiriu/criou duas dezenas de empresas – que hoje se encontram todas inoperantes e, somente em relação ao Fisco Federal, devem tributos, já inscritos em dívida ativa da União, cujos montantes atingem cerca de R$ 400 milhões.
Alessander Monaco Ferreira:
• Movimentação financeira extraordinária e incompatível;
• Criação/Sociedade em 2 empresas de fachada;
• Ligado aos “Movimentos”, realiza doações altamente suspeitas através da plataforma Google;
• Viajou mais de 50 vezes para Brasília, entre julho/2016 a agosto/2018 – todas (conf. Consta) para o Ministério da Educação – com objetivos não especificados;
• Apesar de tudo, solicitou emprego e foi contratado pelo governo do Estado de SP para trabalhar na CADA – Comissão de Avaliação de Documentos e Acesso da Imprensa Oficial do Estado – e justamente um cargo que tem função de gerenciar tarefas de eliminação de documentos públicos, de informações relativas ao recolhimento de documentos de guarda permanente, produzidos pela Administração Pública;
Carlos Augusto de Moraes Afonso (Luciano Ayan):
• Ameaça aqueles que questionam as finanças do MBL;
• Dissemina fake news;
• Criação/Sócio de ao menos 4 empresas de fachada;
• Uso de contas de passagem, indícios de movimentação financeira incompatível perante o fisco federal.
Foram apreendidas diversas mídias digitais, entre celulares, computadores, HDs e pen- drives; documentos impressos, dinheiro e foram encontradas e não apreendidas drogas (maconha) interpretadas para uso pessoal.
Não é possível fornecer mais detalhes e mais informações nesse momento por estar a investigação ainda em curso.”
FONTE: Poder 360

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