Muito tempo atrás, antes do “ano novo” ser definido pelo encerramento do calendário gregoriano de 12 meses, a passagem do tempo era contada por mudanças de estações. De acordo com relatos históricos, o primeiro povo a celebrar a festa de passagem teria sido o da Mesopotâmia, área que corresponde hoje aos territórios do Iraque, Kuwait, Síria e Turquia.
A agricultura era a principal fonte de subsistência desse povo, por isso, era costume a celebração do fim do inverno e início da primavera, época em que se iniciava uma nova safra da plantação, além de ser associada ao desabrochar da flora terrestre.
Esta mesma analogia ainda nos alcança, e, simbolicamente, associamos o início de todo ano ao florescimento. É neste período de janeiro que as pessoas entram em um movimento espontâneo de avaliação das suas próprias vidas. Analisam seus planos, refazem as metas, ponderam mais intimamente sobre seu estado emocional e condições psicológicas.
Refletem sobre o trabalho, os ganhos e perdas, o estresse. Repensam a carreira, estudam possibilidades de uma nova formação, um curso de aperfeiçoamento, uma mudança radical – talvez, abrir mão de uma rotina onde o sucesso é mensurado pela quantidade de dinheiro no bolso, não pelo bem-estar do corpo e da mente.
No Brasil, segundo dados da ISMA-BR (International Stress Management Association), 9 entre 10 pessoas empregadas têm ansiedade e 47% dessa população sofre de sintomas depressivos. O trabalho pode afetar a saúde mental do trabalhador e conduzir a uma série de reações psicológicas individuais e ocupacionais, com consequências tanto para o colaborador como para a instituição. Queda da produtividade, erros evitáveis, atraso no cumprimento de tarefas e absenteísmo, são algumas possibilidades.
O estresse ocupacional começa a se apresentar com sintomas facilmente identificáveis, tais como cansaço constante, sono excessivo ou insônia, tensão muscular, alterações no apetite, dificuldade de atenção e concentração, podendo evoluir para a depressão e doenças físicas como hipertensão, alterações no sistema imunológico, gastrite e problemas cardiológicos, além de sintomas que podem levar à ocorrência da síndrome de Burnout.
Se bem observarmos, estes sinais estão latentes em nosso meio. Desenvolver intervenções no ambiente de trabalho pode ser uma estratégia eficaz no cuidado com a saúde mental e bem-estar dos colaboradores. Por esta razão, este ano, a nossa Campanha Janeiro Branco, que chama atenção para os cuidados relacionados à saúde mental, é voltada para o trabalhador, seja ele chefe, proprietário ou colaborador.
Enquanto se avalia e planeja o ano em curso, não esqueçamos de cuidar da mente. Hoje, mais do que nunca, precisamos de ambientes de trabalho favoráveis à prevenção, identificação precoce, apoio e reabilitação. Mais importante do que ser elogiado por seu desempenho, é manter uma mente onde florescem pensamentos saudáveis, de esperança e conforto.

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