domingo, 22 de agosto de 2021

Paisagens conhecidas, por Carlos Lula


Quando pequeno, eu costumava viajar de ônibus ou carro pelo Maranhão com a família para visitar os parentes. Quase sempre a rota era a cidade Colinas. Na época, leva-se o dia todo para chegar, sob a estrada de chão batido. Dois adultos, quatro crianças, comida pronta nos potes de plástico, chegávamos exaustos, felizes. Na pele, o barro da poeira de um dia inteiro de estrada. Outros tempos.

Isso já faz algumas estações, não muitas. Nos acostumamos a olhar as paisagens atuais e se tornam tão conhecidas, que, por vezes, nos esquecemos do fato de mudanças muito recentes. Nossa curta memória até apaga os tempos anteriores a elas.

Uma criança de cinco anos tem o mesmo tempo de existência dos hospitais macrorregionais de Imperatriz, Santa Inês, Caxias e Bacabal. Talvez, quem até seis anos atrás viajava para cidades como São Luís ou atravessava as fronteiras do Piauí e do Tocantins em busca de tratamento de saúde lembre melhor de suas cansativas jornadas de viagens até que um hospital se abriu tão perto de casa ou na cidade vizinha.

Seu filho de três ou quatro anos não tem metade da trajetória dos hospitais regionais de Balsas, Chapadinha ou o Hospital de Traumatologia e Ortopedia do Maranhão. Juntos somam mais de 20 mil cirurgias. Sem contar as sessões de diálise em Chapadinha e Balsas – um sonho dos pacientes renais crônicos da região. Deixo registrada minha homenagem à memória de dona Ana Alves Conceição, que sonhou por 18 anos com o serviço perto de casa e o teve. Lembro do seu sorriso na inauguração de Chapadinha há três anos.

Por onde expandimos a rede hospitalar estadual, conseguimos também melhorar a qualidade de vida e afugentar a morte. É fato. Então, de certo modo, as paisagens conhecidas há seis anos foram transformadas. Os maranhenses precisam conhecer toda transformação realizada em diferentes regiões do nosso estado. 

Em 2017, eu fiz uma viagem destas de um dia inteiro pelo Maranhão e passei por Santa Luzia do Paruá. Na ocasião, eu conheci a única unidade de saúde que, com muita dificuldade, atendida o paciente de urgência para estabilizar e enviar à cidade de Governador Nunes Freire. 

O espaço apertado atendia crianças e adultos, puérperas, trauma e pacientes vítimas de armas. Era um cenário complexo. Então, cedemos o Hospital de Campanha para melhor acomodar as pessoas até a conclusão da obra da Unidade Mista, com 20 leitos, para atendimento de urgência adulto e pediátrico, além de obstetrícia. 

Um problema havia sido resolvido, então, a pandemia eclodiu. A Unidade Mista já não seria suficiente, mas tínhamos uma obra de hospital em andamento. Aceleramos o serviço, em uma operação de guerra, para abrir a unidade e assistir pacientes da Covid-19. 

Na Região do Alto Turi, 500 pacientes vítimas das SARS-CoV-2 contaram com os cuidados ofertados pelo Hospital Regional de Santa Luzia do Paruá. E, quando a Covid-19 deu uma trégua, mais de 600 cirurgias oftalmológicas foram realizadas e um centro obstétrico foi aberto para ajudar a atender a demanda da região. 

É para a vida que abrimos hospitais, meus amigos. Quando você percorre o Maranhão, a cada novo ano, as paisagens conhecidas estão sendo substituídas por outras melhores. De norte a sul, de leste a oeste, por onde a saúde entra, a morte foge. Viajar por nosso estado tem sido cada vez melhor.

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