
BRASÍLIA (Reuters) - A força-tarefa da operação Lava Jato em Curitiba denunciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro Antonio Palocci e Paulo Okamoto pelo crime de lavagem de dinheiro no repasse dissimulado de 4 milhões de reais do Grupo Odebrecht em favor do Instituto Lula, informou a assessoria de imprensa do Ministério Público Federal do Paraná (MPF) em nota nesta segunda-feira.
A acusação criminal sustenta que foram feitas quatro operações de doação simuladas pela empreiteira em favor do instituto --cada uma no valor de 1 milhão de reais-- no período de dezembro de 2013 a março de 2014.
Essa é a quarta denúncia feita pela força-tarefa do MPF de Curitiba --que foi renovada até final de janeiro de 2021 mesmo diante de forte pressão interna e externa-- contra o ex-presidente. Ele tem outras investigações e acusações em outras localidades.
A força-tarefa disse na acusação que os 4 milhões de reais do esquema de lavagem de dinheiro em favor do Instituto Lula tiveram como origem crimes praticados contra a Petrobras oriundos de propinas da empreiteira ao PT, fatos que já foram reconhecidos em outras ações penais julgadas pela Justiça.
Em nota, a defesa de Lula disse que foi surpreendida com mais uma denúncia da Lava Jato de Curitiba "sem qualquer materialidade e em clara prática de lawfare". O advogado Cristiano Zanin Martins afirmou ainda que os procuradores buscam "criminalizar" as quatro doações feitas pela Odebrecht ao instituto.
A denúncia do MPF atinge também o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. A defesa deles não foi encontrada de imediato pela Reuters para comentar a acusação.
No comunicado à imprensa, o procurador da República Alessandro Oliveira, coordenador da força-tarefa, destaca o amplo conjunto de provas, segundo ele, que permitiram fundamentar a denúncia.
“São centenas de provas, de comunicações a planilhas e comprovantes de pagamento que ligam a doação formal de altos valores a possíveis ilícitos praticados anteriormente. Isso demonstra a complexidade e a verticalidade da análise realizada pela força-tarefa em diversas fases, nesse caso a lavagem de dinheiro, mas sem perder a noção de um contexto mais amplo de práticas."
Nenhum comentário:
Postar um comentário