Todos os promotores que compõem o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público do Maranhão protocolaram, neste domingo (11), um pedido de exoneração coletiva. O comunicado, oficializado por meio do “Memorando nº 1/2026 – GPGJ/GAECO/SLS” e enviado ao procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, representa uma reação inédita dentro da instituição.
A decisão do grupo ocorre após o procurador-geral de Justiça em exercício, Orfileno Bezerra Neto, emitir parecer favorável à libertação do prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), e dos demais investigados presos na Operação Tântalo II. Eles são acusados de integrar uma organização criminosa responsável pelo desvio de mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos do município. O parecer foi encaminhado à 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, que avaliará os pedidos das defesas.
Na manifestação enviada ao comando do MP-MA, os promotores afirmam que o posicionamento da Procuradoria-Geral destoou completamente das provas reunidas na investigação e da decisão judicial que embasou as prisões preventivas, decretadas em 22 de dezembro de 2025. Para o grupo, a postura adotada pela cúpula do órgão “enfraquece a atuação institucional do Ministério Público no combate ao crime organizado” e compromete a credibilidade de investigações complexas conduzidas pelo GAECO.
Os subscritores argumentam ainda que a posição da PGJ diverge do trabalho técnico desenvolvido nos últimos anos e das metas estabelecidas no Plano Estratégico do MPMA 2021–2029, voltado ao fortalecimento da persecução penal e ao aperfeiçoamento das técnicas investigativas.
Embora reafirmem respeito institucional à Procuradoria-Geral, os promotores destacam que a divergência tornou inviável a permanência no grupo, uma vez que compromete “a convergência mínima necessária” ao funcionamento do GAECO. Por isso, solicitaram a exoneração imediata das funções.

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